sexta-feira, 7 de maio de 2010

A carta



Querida Mary, hoje quando acordei deparei-me com uma linda paisagem, avia arvores, um lago, rosas brancas, dois cavalos e um céu perfeitamente azul, sem nenhuma nuvem para manchar. E olhando-a então me lembrei de que uma vez você disse que avia sonhado com algo parecido e que estávamos juntos no momento, sinto-me culpado por não ter trago você quando pude, é um lugar magnífico, único e você com certeza iria gostar da cama.
E enquanto eu terminava de ler ‘A menina do fim da rua’, veio-me a cabeça a lembrança mais linda que pude ter de você, sentada na rede com seus cabelos cacheados e escuros sobre o efeito de uma leve brisa que por ali passava um sorriso largo no rosto, e olhos focados em seu livro. Lembro-me de uma viagem que fizemos um pouco antes de nos casarmos, e você parecia uma criança tão feliz e nada a deixava triste nem mesmo aquele homem rude que encontramos em um de nossos passeios pelas colinas daquela linda cidade, nem mesmo ele.
Eu adorava quando você chegava a nossa casa cheia de historias para contar sobre o seu dia no trabalho, você depois que sentava no sofá entre minhas pernas, com seu copo gigante de refresco, não parava de falar, nem mesmo para beber, você vivia se engasgando fazendo aquilo, que saudade desse tempo, saudades de tudo.
Teve uma vez que cheguei a nossa casa e você estava caída no chão do banheiro, eu fiquei desesperado, corri com você no colo até o carro e fomos direto para o hospital.
Depois daquilo, nossas vidas nunca foram às mesmas, depois que descobrimos o tumor em seu cérebro, mudou completamente nossa rotina de vida, você saiu do trabalho, e eu tive que cuidar da casa sozinho, eu não podia deixar que você se esforçasse nem se quer para fazer seu café da manhã, sempre que você acordava tinha uma linda mesa posta para você em nosso quarto, eu nunca me queixei de cuidar da casa, muito menos de você.
Todos aqueles anos de quimioterapia para você, foram tão cansativos que você acabou desistindo, você sabia que nada traria sua saúde de volta.
Você sabe que eu jamais deixaria você sozinha, muitas pessoas pediram para que eu me afastasse de você logo, para que eu não sofresse quando você se fosse.
Mas não, eu fiquei ao seu lado até o seu ultimo suspiro, seu ultimo piscar de olhos, seu ultimo eu te amo e por fim seu ultimo adeus.
Eu sabia que nunca mais veria você novamente, então por algum tempo eu senti que minha vida não tinha mais sentido, eu parei de trabalhar, de cuidar da casa e de mim, não comi por dias, cheguei a planejar minha morte, mas algo me segurou, não deixou que eu acabasse com minha vida ali naquele momento.
Ultimamente eu tenho sonhado tanto com você e a vontade de me suicidar também voltou, não sei o que fazer sem você ainda, eu ainda uso a minha aliança e a sua pendurada no pescoço e eu já perdi as contas de quantos encontros nossos amigos me arranjaram, mas confesso que eu nem lembro o nome das mulheres.
Mary, mas agora olhando todo esse lugar, respirando esse ar, e deitado nessa cama, lembro-me de uma coisa que você me disse logo que nos mudamos para nossa casa, ‘enquanto eu viver ou você, nenhum de nós morrerá, sempre estaremos no coração, nas lembranças um do outro’, então pude ver que não valeria a pena eu terminar minha vida ali, eu deveria continuar de onde paramos juntos, construir aquilo que você sempre quis, uma grande e linda família, viajar pelos quatro cantos do mundo e viver intensamente cada dia de nossas vidas.
Amor, você sempre será a primeira, meu grande amor, meu amuleto e eu sempre te amarei e você para sempre viverá em meu coração até o meu ultimo suspiro.
Eu te amo Mary.

Cafetão

Você agora é minha
Seus sonhos e seu dinheiro
Sua beleza e seu corpo
Sua virtude e sua alma
Você pertence a mim.